segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

NESTE ANO A UFG VAI DEBATER SEU RUMO. EU ESTAREI FIRME NO PÁREO. SOU CANDIDATO A REITOR.

Íntegra da Entrevista com o Prof. Romualdo Pessoa, publicado no Jornal do Professor, da Adufg-Sindicato, nº 36 – Janeiro/fevereiro de 2017.
Eleição da Reitoria da UFG – “Quem disputar comigo virá para o debate” – Prof. Dr. Romualdo Pessoa

O professor já se colocou à disputa lançando seu nome.
Romualdo Pessoa - Sim, eu quis fazer com certa antecedência porque a universidade vem de dois processos eleitorais em chapa única, tanto na reeleição do professor Edward como a eleição do professor Orlando. A universidade cresce em debates e discussões e esses dois processos foram frágeis pela ausência de um aprofundamento das questões que estavam postas em cada um desses momentos. Quem vier a disputar a eleição junto comigo deve vir com esse espírito para debater aquilo que propor para a universidade.
O que o motiva, inicialmente, então é essa necessidade do debate?
É um diagnóstico que eu tenho sobre a maneira como a universidade tem funcionado. A UFG recebeu muitos recursos em seu processo de expansão, acentuado e acelerado. Os governos Lula e Dilma destinaram montantes significativos, que foram aplicados em laboratórios e diversos cursos de pós-graduação, o que era necessário, mas por outro lado isso criou ilhas isoladas de saberes. A universidade carece de uma relação maior entre as diversas áreas. Essa situação de projetos isolados, a meu ver, não é um projeto de universidade. Ela tem que ser um todo. O processo de expansão gerou isolamento e competição entre diversas áreas. Muitas áreas de pesquisas que não são ligadas ao mercado acabam fragilizadas. Há um desequilíbrio nesse processo e precisamos discutir isso. Por último, houve uma acomodação em se pensar de que maneira esses recursos seriam melhor aplicados, de que forma o processo de expansão seria sustentado nos anos seguintes. Faltou uma discussão sobre isso e nesse momento, com recursos muito menores, em função das condições políticas e econômicas do país, é preciso refletir sobre o modelo de universidade que queremos. Uma universidade com foco nos cursos com mais aceitação no mercado ou uma universidade mais reflexiva, crítica, tolerante com as concepções diferentes e mais sintonizada com as questões da sociedade?
Fale mais sobre essa acomodação.
É sobre o perfil da universidade. Universidade para quê, para quem? É uma universidade inclusiva mas que perde sua capacidade crítica. O processo de inclusão não veio acompanhado de um processo que reflita a realidade brasileira. Um desequilíbrio entre cursos mais focados no mercado e as licenciaturas, o que possibilitou uma grande evasão em cursos fundamentais para a sociedade e para a preparação de jovens que ingressarão na universidade. Há um desequilíbrio também porque, na medida em que houve muito recurso para pós-graduação e pesquisa – as próprias contratações de professores tinham como foco fortalecer a pós-graduação – houve uma fragilização da graduação, principalmente em cursos necessários para os ensinos médio e fundamental.  Precisamos refletir sobre o perfil do formando que oferecemos para a sociedade. Acomodação é se contentar com o fato de que muitos recursos foram destinados à universidade sem discussão do perfil dessa universidade. Não houve grandes debates mesmo num dos momentos mais críticos, que foi essa transição política dos últimos tempos. A universidade não contribuiu com a discussão, nem internamente. A consequência disso foi o crescimento de um processo de intolerância também dentro da universidade, de não aceitação de opiniões diferentes e de imposição de ideias. Isso se choca com a própria razão de ser da universidade, que por essência tem que ter concepções divergentes, que tem que ser aceitas e debatidas. Não se pode impor pela força. E nos últimos anos é o que vemos, inclusive uma perda de autoridades. Tanto de dirigentes como de professores, houve agressões nesse processo todo. Carecemos de uma reformulação, retomada de rumo, naquilo que nos faz universidade, uma noção de totalidade, de necessidade de interação entre as diversas áreas e na capacidade criativa. Só a pesquisa não basta. É preciso extrair algo de novo, de inovador. Muitas teses reafirmam o que já foi dito, mas não dão passo além do que é investigado. Precisamos estimular a juventude a ser criativa e inovadora, e não há como isso acontecer se não analisarmos criticamente e com liberdade de criação.
O professor tem sido crítico a possibilidade de lançamento do nome do professor Edward. Por quê?
As gestões do professor Edward foram produtivas, principalmente quanto à expansão, o que decorreu do momento que o país viveu. Todo sistema universitário se expandiu aceleradamente, tanto institutos tecnológicos quanto universidades. Mas eu questiono a reeleição. Eu sou candidato para quatro anos. Nossa função maior na universidade não é ser dirigente ou gestor, mas ser professor. Professor Edward foi candidato a reitor com a proposta de não ser reeleito e terminou reeleito. Saiu para ser candidato a deputado federal pelo PT, não logrou êxito. Um retorno do professor Edward seria a continuidade de oito anos de gestão com mais quatro do professor Orlando, que saiu do mesmo grupo. Eu não me lembro, de todo tempo que estou na universidade, desde minha militância estudantil até hoje, de situação parecida. Um professor eleito, reeleito, que volta e que pode ser candidato a um quarto mandato. Mesmo que ele diga que não será novamente candidato à reeleição, não podemos saber, porque ele falou na primeira vez que foi candidato. Isso é ruim para a universidade.
Por quê?
Porque reforça a crítica que me faz candidato, tirar a universidade da acomodação em que ela se meteu. Aquilo que eu chamo de "normose", a doença da normalidade. Aceitamos determinadas situações como normais quando elas não são normais. Depois é que percebemos equívoco de não renovar, não mudar. A mudança faz parte da essência da universidade. Além disso a manutenção de um mesmo grupo por mais de uma década no controle cria vícios, burocratiza excessivamente determinados cargos, que são inclusive repetidos para as mesmas pessoas e não dá oportunidade para avançar. Precisamos avançar naquilo que já foi constituído. Por uma dificuldade de gestão de quem lhe sucedeu, e não encontrando nomes a altura para o processo eleitoral, volta o professor Edward, que foi reitor num momento de vacas gordas, para ser uma espécie de salvador da pátria? A universidade não precisa de salvador da pátria, uma questão inclusive em discussão no país. Precisamos de coragem para discutir nossos problemas e as condições em que esses problemas foram criados. Apesar de toda expansão, muitos problemas se originaram na maneira como se deu a gestão nesse período, inclusive nas relações internas da universidade, em que perdemos muito da autoridade e da liturgia de determinados cargos.
Que problemas, por exemplo?
As invasões(*) da reitoria, a humilhação ao próprio reitor em determinadas situações, agressões a professores. Em determinados momentos é necessário usar o estatuto da universidade para que não percamos o controle. Gerir bem a universidade evidentemente depende de uma equipe competente para isso e da capacidade de gerir pessoas, mas acima de tudo de liderança. A universidade carece de liderança, elemento fundamental. Não é só liderança na figura do reitor, mas também daqueles que estão à volta do reitor e daqueles que estão nos departamentos, unidades. Tem faltado muito assumir responsabilidades. Há um excesso de democratismo na universidade e de burocracia. O fato de a autoridade não assumir suas responsabilidades e delegar a autoridades inferiores as discussões com seus pares, para dali tirar uma opinião (inferiores no sentido de estarem abaixo hierarquicamente). Esse processo é longo e termina se perdendo. Há determinadas situações em que você precisa dar respostas imediatas. Se você não dá, a situação foge do controle. Isso tem acontecido nos últimos anos, tanto na gestão do professor Orlando como nas gestões do professor Edward. Considero também criar um gabinete de crises, para acompanhar as demandas que existem em todos os setores da universidade.
(*) Há questionamentos sobre o uso do termo “invasões”, em detrimento a “ocupações”. Quando de minha militância no movimento estudantil não tínhamos ressalva ao termo “invasão”, mas não ocupávamos por tempo indeterminado os espaços na universidade. Entendo a preocupação dos movimentos em estabelecer uma diferença, sob argumento que esses espaços são públicos. Mas discordo da estratégia adotada e fui franco nessa avaliação em minhas aulas, embora tenha respeitado e dado apoio às ocupações, até que houve a invasão da Assembleia dos professores e as agressões que se seguiram. A partir daí me mantive afastado.
JP – Qual avaliação o professor faria da gestão Orlando?
Ele pegou a UFG numa situação complicada, em função de débitos da gestão anterior, do professor Edward e num momento em que aconteceram cortes de orçamento, ainda no governo Dilma. Isso criou muita dificuldade de gestão, o que demandou muita habilidade não só em gerir recursos, mas habilidade política para conseguir novos recursos. E creio que um aspecto que poderia ter sido melhor conduzido na gestão do professor Orlando foi nos momentos de crise interna na universidade, em que equivocadamente alguns grupos internalizaram as lutas, quando elas deveriam ser externalizadas. Faltou um pulso mais firme nessas situações. O diálogo foi aberto, mas é inadmissível que determinados grupos ajam com radicalidade e sectarismo quando uma gestão se abre ao diálogo. E há um limite para o diálogo. A partir do momento em que a atitude radical não dialoga mais é preciso agir com autoridade, exercer o que está contido no estatuto da universidade. Faltou isso em alguns momentos, principalmente nas primeiras invasões, o que levou essas situações se repetirem e quase fugiram do controle. Houve uma preocupação justa do professor Orlando para que não houvesse confronto de manifestantes com forças policiais, mas essa situação chegou ao ponto de quase haver necessidade de tropas dentro da universidade porque o problema não foi resolvido no começo. Ademais, a liderança não se faz no gabinete, mas na presença cotidiana em todas as partes da universidade, é preciso se antecipar a determinadas situações e estabelecer um diálogo frequente e presente nas unidades no ano inteiro. Ter contatos com professores e técnicos, saber de suas demandas, não esperar que os sindicatos peçam audiências. E também dos estudantes, que são diversos grupos, que se formam por demandas específicas, de gênero, de questão racial, de problemas sexuais. Grupos que fazem com que o movimento não tenha um centro único e as entidades estudantis sozinhas já não mais representam todos esses segmentos, porque inclusive alguns deles não querem. É preciso saber o que está acontecendo, o diálogo deve ser permanente. Conhecendo essas demandas e procurando resolvê-las, demonstrando a esses movimentos e entidades que há interesse em resolver essas questões, é evidente que você desarma qualquer ação mais radical. O reitor tem que percorrer mais a universidade.

Quando eu estava finalizando a organização e revisão do texto dessa entrevista, publicada em parte no Jornal do Professor da UFG, tomei conhecimento de uma reportagem publicada em um tabloide semanal de Goiânia, onde, de forma capciosa tenta desqualificar e estigmatizar minha candidatura, em detrimento de um nítido apoio a outro candidato a reitor, que somente agora se declara como candidato, embora já tenha sido reitor por duas vezes. Imediatamente, indignado, compartilhei nas redes sociais uma resposta me contrapondo veemente a esse tipo de ardil, em que se utiliza o péssimo jornalismo para confundir, em vez de informar honestamente. Reproduzo essa resposta abaixo:
AVISO A JORNALISTAS DESAVISADOS E/OU MAL-INTENCIONADOS: NESTE ANO A UFG VAI DEBATER SEU RUMO. E EU ESTAREI FIRME NO PÁREO.
Que tipo de jornal e jornalista escreve uma reportagem, te cita e dá informação categórica sobre você, sem lhe ouvir e saber se aquilo que diz respeito a você e a sua posição, é verdade? Certamente é daquele tipo que não merece crédito, e o que publica segue a linha do chamado “jornalismo chapa branca”, que somente apresenta a versão de candidatura oficial, não sei se pago ou por questões ideológicas. Em um caso ou outro não é jornalismo, é do típico tabloide que não está preocupado com isenção ou com verdade. Estou falando de reportagem publicada por um semanário goiano, que nitidamente faz propaganda de uma candidatura apresentada como a de um “salvador da pátria”, e alega que a minha candidatura a reitor “tende a sair do páreo”. Já postei  aqui que existe uma central de boatos, que esse tabloide repercute, tenta usar a tática de repetir uma mentira várias vezes para que assim ela se passe por verdade. Vou reafirmar aqui e peço aos amigos e amigas que compartilhem até chegar a esse despreparado jornalista e ao seu tabloide: minha candidatura é irreversível, e não faz parte de nenhum jogo, que não o objetivo de tirar a universidade da mesmice e da “normose”, da aceitação de imposição de nomes que julgam se perpetuar no comando da instituição. Se alguém se julga “salvador da pátria”, no caso, da Universidade, vamos tentar descobrir do que é preciso salvá-la. Ou seja, o que fizeram da UFG nos últimos anos que precisa ser salvo. Quem o fez? Que obsessão faz com que alguém julgue precisar retornar para “salvar” a UFG, depois de tê-la dirigido (de perto ou de longe) pelos doze últimos anos? Essas serão boas indagações para os debates que ocorrerão, para sabermos que universidade queremos. E creiam, reprodutores de boatos travestidos de jornalistas, eu estarei pronto para debater e discutir esses e outros problemas. A UFG não tem dono, e a comunidade universitária, professores, técnicos administrativos e estudantes, demonstrarão isso. Podemos fazer em nossa universidade algo diferente do que é feito nas disputas eleitorais tradicionais. E o primeiro critério é não faltar com a verdade. Estamos na luta! Porque É PRA FRENTE QUE SE ANDA!”

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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

CRÔNICA DE UM MUNDO EM TRANSE – CAPITALISMO, UM SISTEMA FINITO (PRÓLOGO)

Em janeiro de 2012 escrevi uma série de artigos para este blog, que intitulei “Crônica de um Mundo em Transe”[i]. Foram seis artigos, ou cinco partes e um final. Mas não houve um fechamento definitivo, até porque a última parte, em que analisei uma nova etapa da guerra travada pelo Império, denominada “guerra ao terror”, com a substituição de tropas por um serviço de inteligência, espionagem, mais efetivo e sofisticado tecnologicamente, posto em prática com a introdução de uma novidade surgida da indústria da guerra e que predomina atualmente em diversas áreas por todas as partes do mundo: o uso dos drones. A partir dos anos seguintes, esse aparato tornou-se mais sofisticado e os assassinatos “cirúrgicos”, de enormes efeitos colaterais, dizimaram um número indefinido de vítimas, “terroristas” ou não. Isso me fez insistir na análise de como as ações desenvolvidas intensivamente para destruir e desestabilizar os inimigos do império por todo o mundo, onde isso fosse possível, tornaria a humanidade mais vulnerável e espalharia ódio e intolerância de forma indiscriminada. De lá para cá o mundo mudou, e para pior. E, ao invés de reduzir as guerras, ampliou-as e deu poder aos grupos sectários, disseminando mais ainda ações terroristas, que não ficaram restritas ao Oriente Médio e África, mas que atingiu duramente a Europa e até mesmo os EUA, apesar de todo aparato repressivo e de vigilância.
A crise econômica mundial se intensificou, tornou-se cada vez mais crônica, porque é de origem estrutural, e disseminou uma onda de perversidade gerada pela necessidade das classes dominantes retomar o curso dos acontecimentos, de forma a reestruturar o capitalismo e tentar tirá-lo de uma das piores crises de sua história. Tudo isso alimentou uma reação conservadora, potencializada pelas redes sociais, onde cada um individualmente, se sentindo uma voz “libertadora” em meio a uma multidão virtual, descarrega sua opinião apolítica, anti-política, políticamente incorreta, e absolutamente estúpida. São minhas impressões, feitas a partir de análises geopolíticas, mas sustentadas por uma ótica que me coloca em contraposição com os mecanismos criados pelas forças que dominam os mercados, as corporações, e as políticas que definem os rumos loucos de um mundo em transe.
Minhas análises decorrem de leituras acuidadas, de concordâncias com diversas opiniões[ii] manifestadas em blogs, revistas, livros e em documentários produzidos nos últimos anos, e muitos premiados, que retratam com bastante fidelidade o desequilíbrio na política mundial, provocado por uma estratégia que se dissemina há décadas, desde o começo da guerra fria, mas que nos últimos anos atingiu o limite da estupidez. Como já disse em outros escritos neste blog, apesar de toda a loucura existente por trás das ações geopolíticas dos EUA e seus aliados, houve uma nítida intencionalidade em cada uma delas, no sentido de desestabilizar dezenas de países, por meio de provocações de insurgências internas com o consequente esfacelamento de seus governos. Em alguns casos, a guerra civil foi fomentada quando alguns governos resistiram às pressões populares, insuladas por grupos organizados financiados por ONGs e alguns grupos que surgiam seguindo-se uma estratégia de deslocar o protagonismo dos partidos e tornar a política desmoralizada. Sem a capacidade política de estabelecer acordos, a regra que se segue é a guerra. E isso se dá de diversas maneiras, desde o enfrentamento bélico, gerador de destruição acelerada, como aconteceu na Síria; ou por meio da disseminação entre a população da desesperança, da descrença e da propagação do ódio e intolerância, tornando o país ingovernável, nos dois casos.
O desequilíbrio que atinge mundo, decorre de uma crise que teve seu ápice entre os anos de 2008 e 2010, mas que não pôde ser solucionada até hoje, gerando uma onda de insatisfação por todo o mundo e possibilitando que discursos ultranacionalistas antiglobalizantes apresentem como alternativas personagens anti-políticos, ou de comportamentos populistas e fascistas. A derrota da política dissemina-se para além das fronteiras e desconhece os poderios econômicos dos países por onde ela se espalha.
A partir de 2010 uma série de revoltas, fomentadas propositadamente afetaram diversos países, mas também ocorreram como decorrência da forma com que a crise econômica afetou cada um deles. Havia um clima de insurgência latente que potencializou essas ações. O aumento de desemprego, que afeta primordialmente as camadas mais jovens, na medida em que se fecham as possibilidades de acesso ao mercado de trabalho por aqueles que estão se habilitando, mas que não detém experiência para serem aproveitados numa realidade em que muitos devidamente especializados estão sendo dispensados de seus empregos. Seguramente essa foi uma das razões que levou a uma explosão de manifestações por países do norte da África e estendeu-se por todo o Oriente Médio. Mas a espontaneidade foi apenas no início dessas revoltas, a partir do momento em que se disseminaram entraram em cena outros atores, com objetivos bem definidos, desestabilizar governos situados estrategicamente, ou por seus governos serem reticente às políticas do Império e de seus aliados.
Na América Latina, que nas duas últimas décadas tinha dado uma guinada à esquerda, com a escolha pela população de governos progressistas que se dirigiam para uma outra direção, distanciando-se dos EUA e aproximando-se da China e da Rússia afetando o espectro geopolítico regional, esse desequilíbrio não ocorreu como consequência da crise econômica, embora ela fosse latente. Mas pelas disputas do poder local, estimuladas pelos interesses dos EUA em retomar sua influência nesses países. A estratégia, nesses casos, foi fomentar a desestabilização por meio de uma forte influência na política, fortalecendo os partidos conservadores; potencializando movimentos ditos independentes, que cumpriram o papel de desmoralizar a política; e, por meio de espionagem cibernética a identificação dos vícios historicamente consolidados no controle do poder. Assim, neste último caso disseminou no Brasil, em especial, uma espetacular investigação, iniciada, segundo Edward Snowden, pela vigilância na maior estatal brasileira, além dos principais personagens da política, blindando aqueles que sempre estiveram alinhados ideologicamente com os interesses estratégicos estadunidenses.
Mas a Europa não ficou imune a todas essas mudanças. Ela foi afetada não somente pela crise econômica que diretamente influenciou cada um dos países do bloco europeu, mesmo que de forma distinta no começo, mas que no último ano se ampliou voltando novamente a atingir o sistema financeiro, estremecendo o poderio dos principais bancos, principalmente na Itália e na Alemanha. Ao mesmo tempo, os efeitos colaterais das guerras travadas naqueles países que foram desestabilizados pela estratégia citada anteriormente levaram a uma das maiores migrações da história, com o deslocamento de centenas de milhares de pessoas oriundas principalmente daqueles países onde os governos foram derrubados ou estavam em vias de serem, causando uma falência quase total nos Estados.
Para completar as vicissitudes de futuros imprevisíveis, o “brexit”, com a saída da Grã-Bretanha da União Européia, numa decisão inesperada da população, tanto quanto a eleição de Donald Trump nos EUA. Inesperada, ma non troppo! São posições que refletem uma insatisfação com os rumos em que a economia e a política andam tomando, em cada um desses países, em particular, e no mundo, de uma maneira geral. O que se espera ainda, para os próximos meses, é uma guinada ainda mais à direita, com as eleições da França e da Alemanha, que já sentem a repercussão da derrota do establishment estadunidense, que apostara tudo na candidatura da Hilary Clinton, inclusive praticamente toda a grande mídia daquele país.
Ao mesmo tempo em que o mundo estremece, com crises incontroláveis por todos os lados, e deixa os estados-nação sem alternativa para conter as insatisfações geradas por essas situações, ampliam-se sentimentos de intolerância, de xenofobia, de comportamentos fascistas e neo-nazistas, inclusive o fortalecimento de partidos que defendem esses posicionamentos. As redes sociais disseminam muito mais rapidamente essas atitudes agressivas e reforçam na sociedade um sentimento de aversão ao outro que age, pensa e se comporta de maneira diferente dos padrões conservadores e/ou religiosos.
Tudo que ocorre são consequências nefastas da falência de um processo de globalização que prometeu uma coisa, mas que o resultado foi bem diferente. O deslumbramento com a rapidez com que se davam os negócios e os deslocamentos de mercadorias pelo mundo, escondia o essencial; o fim das fronteiras só fez ampliar a concentração da riqueza. Nesse período, que corresponde a cerca de trinta anos, desde as últimas décadas do século passado, e das primeiras deste século, o sistema despertou sua face cruel, e a ganância se apresentou como o verdadeiro motor que movimenta o capitalismo, tendo a usura como coadjuvante. Nunca, em toda a história da humanidade, indivíduos se esforçaram tão intensamente para tornar-se cada vez mais ricos, sem que houvesse um limite para atingir. Ao mesmo tempo, disseminou-se como uma cultura entre as pessoas comuns, estimuladas por dogmas criados a partir desses valores, de que o enriquecimento seria uma dádiva possível a todos, desde que fossem fiéis aos princípios do sistema, impulsionados por sofismas que desvirtuavam crenças religiosas milenares.
Naturalmente, uma tentativa de reestruturação do sistema, como se pretendeu com a globalização neoliberal, necessitaria de vir acompanhada por verdades ditas insofismáveis. O convencimento deveria ser um elemento fundamental, e crucial, a fim de consolidar entre as pessoas a fé inabalável na existência de um único caminho para a humanidade: o capitalismo. E a condição de se tornar vitorioso, ou vitoriosa, seria incorporar esse espírito, despertar os desejos inerentes à lógica capitalista e inebriar-se no consumismo desenfreado. Entramos numa era de ilusões vãs, e em lugar dos sonhos bucólicos a humanidade optou pela distopia, transformando a sociedade num ambiente opressivo, onde a necessidade de competir, e de se destacar em meio à intensa disputa pelo sucesso, nos legou a depressão como a doença do século, e, como consequência, uma era de intolerância, violência, racismo e estupidez se disseminaram aceleradamente pelo mundo, e destacadamente no Brasil, potencializado pela disputa política e pelo lamaçal de corrupção que desvendou uma parte de como funciona as relações de poder na falida democracia. Mas talvez democracia não seja mais o nome adequado para identificar o regime que norteia e conduz a política no capitalismo. Melhor seria considerar que vivemos em uma plutocracia. Ou numa cleptocracia. Qual será o fim dessa história? Porque haverá um fim, isso é certo, embora não possamos dizer em que momento preciso. Afinal, até mesmo o capitalismo é um sistema finito. Como todos os outros.
Analisarei na sequencia dessa crônica as situações particulares do Brasil, EUA, Europa e Rússia.



[ii] ANDERSON, Perry. A Política externa norte-americana e seus teóricos. São Paulo: Boitempo, 2015
BANDEIRA, Luis Alberto. A Segunda Guerra Fria. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013
 __________________. A Desordem Mundial. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016
ESCOBAR, Pepe. Império do Caos. Rio de Janeiro: Revan, 2016
HARVEY, David. 17 Contradições e o fim do capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2016

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

ELEIÇÃO DE REITOR NA UFG - ENTREVISTA COM O PROFESSOR ROMUALDO PESSOA

Íntegra da entrevista que concedi ao jornal Diário da Manhã, publicada no dia 02 de janeiro 2017 (https://impresso.dm.com.br/edicao/20170102). Por questão de espaço alguns trechos que insiro aqui foram suprimidos na edição jornalística. Agradeço ao Jornalista Renato Dias pela possibilidade de expor algumas ideias iniciais a respeito da eleição de reitor da UFG e da minha decisão de concorrer a esse cargo maior na Universidade, cuja eleição se dará neste ano.

Diário da Manhã - A UFG fará eleições diretas para reitor? Quando será?
Romualdo Pessoa Campos Filho – A data da eleição ainda não está definida. Isso deverá ser feito pelo Conselho Universitário. A última eleição aconteceu no mês de junho, mas não é algo fixo, fica, portanto a critério da decisão do Conselho. Espero que seja mantido o mesmo mês. Mas certamente o processo se iniciará em fevereiro com as movimentações dos possíveis candidatos ou candidatas.
DM - O senhor é candidato a reitor?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Sim. Já me apresentei como candidato em um artigo que publiquei em meu blog Gramática do Mundo. (http://gramaticadomundo.blogspot.com.br/2016/10/minha-vida-se-completa-na-ufg-sigo-por_13.html).
DM - Qual o seu programa?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Isso ainda não está feito. Estamos, por enquanto estabelecendo alguns diálogos sobre a necessidade de alternarmos a condução da reitoria, e entendemos que o momento exige não somente capacidade de gestão, mas também habilidade política para lidar com uma situação adversa, que não experimentamos desde a primeira eleição do presidente Lula. O que significa dizer que conta muito, nessas circunstâncias o conhecimento da Universidade, a experiência nas lutas que travamos por décadas e a necessidade de buscarmos construir um movimento amplo que defenda a UFG a fim de garantir que ela continue sendo uma instituição que contribua fortemente para o desenvolvimento da Ciência, na formação de profissionais competentes e com grande inserção na sociedade. Para isso é fundamental que os recursos financeiros sejam garantidos a fim de atender toda a nossa capacidade, mas que também possa ser ampliada, pois a UFG tem uma possibilidade de crescimento muito forte. E é nessa direção que iremos trabalhar.
DM - Qual a sua análise da PEC 55 para as universidades públicas?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Essa PEC é absolutamente nociva para todo o serviço público, e em especial a Universidade. Mas ela afeta também, sobremaneira, os investimentos em todas as atividades de caráter social. No que tange à Universidade, ou à educação em geral, é evidente que limitar os gastos ao índice da inflação do ano anterior impedirá qualquer política de crescimento, que já estava em curso desde o governo Lula. Novas universidades, e a ampliação do número de vagas e novos cursos, que se adequem às necessidades das transformações que acontecem no Brasil e no mundo, estarão comprometidas por vinte anos. E um dos reais objetivos por trás dessa PEC é exatamente desvincular a obrigatoriedade de aplicação de determinado percentual em algumas áreas, principalmente a Saúde e a Educação. Isso dificultará manter o padrão de investimentos em custeios nas universidades, comprometendo a manutenção do que já existe e todo processo de modernização em áreas que requer que a todo ano se invista, para poder acompanhar todo o desenvolvimento tecnológico e de valorização da pesquisa, essencial para fortalecer a soberania de nosso país e o conhecimento de nosso potencial de riqueza e crescimento. Além de impactar fortemente nas nossas condições de trabalho que possibilite atender bem as nossas necessidades enquanto profissionais. É terrível o que se propôs e seus efeitos serão danosos e farão recuar em anos tudo que se pretendeu para o país em termos de fazer cumprir uma dívida enorme em nossa área, qual seja, ampliar o percentual de jovens com acesso ao ensino superior. Certamente, se isso acontecer nos próximos anos, será com a expansão do ensino privado, o que demonstra o caráter perverso dessa iniciativa do atual governo.
DM - O que pode mudar no quadro da UFG com a Reforma da Previdência?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Todas as vezes que se discutem mudanças na previdência há uma tendência de aumentar o número de professores e técnicos que aceleram seus processos de aposentadoria. Mas esse temor não decorre somente da PEC 287, atualmente em tramitação no Congresso Nacional. Nos últimos anos algumas dessas mudanças já geraram alterações que mudaram o regime de previdência para professores que entrarem recentemente na universidade. Essa PEC só piora a situação, pois amplia o tempo de serviço necessário para se aposentar com salário integral, e iguala nossa situação ao do setor privado, apesar dos mecanismos de contribuição serem diferenciados.
DM - O que esperar da Reforma Trabalhista?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Essa reforma deverá entrar brevemente na pauta de votação do Congresso Nacional. O que se sabe é que está sendo feito uma costura política, entre o núcleo do governo Temer e algumas centrais sindicais, aquelas ligadas a parlamentares que já estão na base de apoio do governo. Não deverá vir coisa boa para os trabalhadores, basta ver os últimos projetos aprovados e já citados anteriormente, mas o governo não irá querer perder apoio de parlamentares ligados à essas centrais, então deve ser mesmo uma proposta negociada.  Esse momento é absolutamente perverso para a população trabalhadora, principalmente aqueles situados na faixa de cinco salários mínimos para baixo. Todas essas medidas representam outros acordos, costurados entre empresários que financiaram todo o processo de mobilizações para destituir a presidenta Dilma, e aquele bloco de parlamentares que lhes são fiéis, porque ali foram colocados com financiamentos desses empresários. Há uma celeridade na aprovação dessas medidas, porque a tendência é aumentar cada vez mais o número de pessoas revoltadas com essas mudanças. Na medida em que ficar claro para os trabalhadores a profundidade dessas mexidas em seus direitos haverá uma reação muito forte. Só não sei se até lá esse governo ainda estará de pé.
DM - Especialista em Geopolítica e doutor em Geografia, qual a sua análise da abertura do Pré-Sal e da proposta que previa destinação de recursos para a Educação?
Romualdo Pessoa Campos Filho – A disputa pelo pré-sal, ou seja, pela enorme reserva petrolífera que nosso país possui em águas profundas, é fruto de uma grande cobiça das corporações que atuam nesse setor. São as mesmas que fomentam golpes em outras partes do mundo e financiam grupos armados para dificultar que governos que desejam exercer um controle dessa riqueza por meio de empresas estatais, possam impor limites a essas atuações em suas fronteiras. A mudança recente, aprovada no Congresso, que reduz a participação da Petrobrás, reflete pressões dessas corporações e dos países de onde  estão suas matrizes. As destinações dos royalties do petróleo para a Educação e a Saúde representou uma das mais acertadas decisões do governo Dilma, e seguramente esse foi um dos motivos para que ela caísse em desgraça e fosse deposta. Houve um revés absurdo nesse sentido, e seguramente a Nação sai prejudicada com esse retrocesso.
DM - Qual a sua opinião sobre as ocupações dos estudantes?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Eu considero que a juventude, e o movimento estudantil organizado, representa a força propulsora das mudanças em nosso país e no mundo. Isso tem acontecido historicamente aqui no Brasil, e em países como a França e o Chile, por exemplo. Mas o temor maior dos governos reside no receio dessa juventude conseguir ampliar o número daqueles que protestam contra medidas impopulares, promovendo manifestações massivas, e que consigam ganhar a opinião pública nesses protestos. Não creio que a estratégia de ocupações dentro da Universidade surta grandes efeitos enquanto forma de pressão contra as ações do governo contra a qual se deseja lutar. Não há visibilidade na sociedade para essas ações, salvo nos momentos em que a polícia seja acionada para cumprir ordens de reintegração de posse. O resultado dessas ocupações tem sido um processo de radicalidade interna e de tensionamento sobre o funcionamento da Universidade, por meio de métodos muitas vezes violentos e desrespeitosos contra até mesmo quem diverge dos  atos do governo e se manifestam claramente assim. Há certa irracionalidade e um radicalismo estéril, que não foca no alvo principal das revoltas e atira a esmo e cegamente contra todos que porventura esteja em sua frente ou que pensem diferentes. Creio que seja necessário repensar essas formas de protestos, e acredito que ela seja muito mais resultado do esvaziamento do próprio movimento e de uma aversão às próprias entidades. Seguramente não é o melhor caminho para fortalecer a luta, tendo como principal estratégia somar forças para derrotar medidas contra a educação, a universidade e os trabalhadores.
DM - Ex-presidente da Adufg, qual a sua opinião sobre a proposta de greve geral?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Enquanto uma forma de luta dos trabalhadores sou plenamente favorável. Mas é preciso que uma proposta de greve geral seja apresentada considerando as circunstâncias e a conjuntura, e que seja por um tempo determinado. Na universidade o instrumento de greve tem se desgastado muito, porque há uma banalização desse mecanismo, essencial na luta entre capital e trabalho, mas que não surte o mesmo efeito em nosso meio, pelas próprias características de nossa relação trabalhista. Em certos momentos, de fragilidade de um governo esse instrumento pode ser importante, desde que haja um interlocutor definido, a fim de haver uma saída para o impasse, visto que uma greve é o momento de radicalidade nessas relações quando as reivindicações não são atendidas. Já uma greve geral, em que estejam envolvidos outros setores, em que haja condições propícias para tal, se torna um poderoso instrumento de pressão sobre o governo. Mas se ela é chamada sem que exista resposta dos trabalhadores o desgaste somente servirá para desarticular e desmoralizar todo um movimento político e resultará em fracasso.
DM - Qual a sua opinião em relação às cotas?
Romualdo Pessoa Campos Filho – As políticas de cotas não são novidades, nem são criações brasileiras. Já existem em outros países, e aplicadas até mesmo nos EUA. Corresponde a uma necessidade de se garantir um mínimo de justiça social, em sociedades altamente desiguais, onde o acesso à educação, e notadamente ao ensino superior, termina por ficar limitado àqueles jovens que nascem em famílias ricas. Uma situação que consolida uma realidade onde os que vem de classes mais baixas optam por cursos de pouca penetração no mercado, cujos rendimentos são mais reduzidos, principalmente os de licenciatura, visto que a profissão de professor no país é bastante desvalorizada historicamente. Aqueles cursos onde há maiores ganhos profissionais persistem em permanecer nas mãos de jovens mais bem preparados, porque estudaram em escolas particulares pagando altos valores de mensalidade. Isso aqui em nosso país se enraizou, e forma uma espiral perversa, criando uma redoma onde os filhos dos trabalhadores mais pobres raramente quebram esse bloqueio. As cotas vieram para possibilitar que uma parcela dessa juventude tenha oportunidade de adquirir uma profissão que o projete socialmente e garanta um percentual gradativo para essas camadas de forma a amenizar essas desigualdades, que afetam os de origem negra e os mais pobres. Mas vejo a política de cota como algo tansitório. Definitivo deve ser a criação de mecanismos que diminuam essas dificuldades de acesso, a partir do fortalecimento do ensino fundamental, principalmente, e médio, garantindo que os que estudam em escolas públicas possam competir em condições de igualdades com quem estuda em escolas particulares. Creio que esse horizonte ainda está muito distante.
DM - O que o senhor, caso seja eleito, quer fazer na UFG?
Romualdo Pessoa Campos Filho – A Universidade não é algo pronto e acabado. Por essência ela precisa estar sempre se reinventando. O elemento fundante numa universidade deve ser a sua capacidade de construir um ambiente de inquietude, de criação e de inovação. Ultimamente tem-se procurado destacar a universidade pelo aspecto de seu crescimento, da sua ampliação em termos de ambientes edificados e da quantidade de novos cursos. Não há dúvida que isso é uma necessidade, e até mesmo uma consequência do trabalho que se desenvolva na universidade, principalmente com a formação de estudantes bem qualificados, o que requer investimentos e preocupação com os cursos de graduação, bem como da capacidade de seus profissionais de se dedicar à pesquisa e a descoberta de novos conhecimentos. No entanto, sinto certo comodismo na Universidade e uma aquietação a partir do momento em que os recursos se intensificaram e muitos laboratórios foram criados e consolidados. Mas isso não representa tudo. A universidade não pode se fechar em si mesma. Isso significa que ela não pode se distanciar da sociedade, e de seus problemas, como também não pode criar nichos de conhecimentos que não dialogam com outras áreas. É necessário reconhecer que as universidades brasileiras avançaram muito nos últimos anos, principalmente em termos de melhorias estruturais, fruto principalmente de um programação de expansão, que quando de sua implementação gerou muita polêmica - o REUNI, mas que foi extremamente importante para garantir melhorias essenciais para o bom desempenho de nossas atividades. Mas tem faltado um entendimento maior sobre problemas cruciais, bem como a necessidade de haver uma conscientização que tudo isso depende do tipo de governo que tivermos, se haverá ou não uma preocupação com a manutenção daquilo que está sendo construído. Isso deveria fazer com que a comunidade se inteirasse melhor das suas debilidades e do que pode acontecer numa situação em que há uma forte expansão, mas que os anos seguintes apontam para dificuldades em manter e garantir a continuidade desse crescimento. É o que em economia entendemos como “desenvolvimento sustentável”. Portanto, é preciso mais do que crescer. É preciso que, de forma responsável se saiba qual é a nossa capacidade de sustentar esse crescimento. O entendimento disso pode possibilitar que novas alternativas sejam pensadas, seja por meio de aprovação de grandes projetos de pesquisa, como acontece em algumas áreas, ou de grandes convênios com instituições de grande porte, nacionais ou internacionais, que tenham credibilidade e preocupações sociais. O que não significa recuar no propósito de permanentemente pressionar o governo para que não haja nenhuma redução no percentual destinado à universidade comparativamente ao ano anterior, assim como se garanta o mínimo de reposição daquilo que é corroído pela inflação. Embora isso também não seja o bastante, pois só representaria o crescimento “vegetativo” das universidades, impedindo que elas prossigam no processo de ampliação e de criação de novas unidades. Pelo que se sabe em termos de colocação do nosso país no ranking de universidades, já é suficiente para se ver que estamos muito atrás, principalmente em se tratando do fato de sermos a oitava maior economia do mundo.
DM - Qual o caminho para democratizar a gestão da UFG?
Romualdo Pessoa Campos Filho – Da mesma maneira, a questão da democracia é algo que também deve ser objeto de permanente preocupação. E mesmo quando falamos de democracia, não significa que o que já existe seja suficiente e aceitável. Mas o que se entende de democracia em nosso meio também funciona muito no aspecto quantitativo. A forma de funcionamento da Universidade deve ser compreendida na relação que se estabelece entre os três segmentos, mas também do papel que cada um deles desempenha e o seu grau de importância. Eles são diferentes, e por isso devem ser tratados de forma diferente, mas deve-se seguir o preceito que essas diferenças não podem assegurar privilégios, mas que devem ser respeitados naquilo que sustenta a própria universidade, qual seja, que deve haver respeito mútuo, e que o princípio da autoridade que rege as relações institucionais e das construções dos saberes, seja preservado e respeitado. Um dos mais importantes filósofos da antiguidade, Aristóteles, afirmava que “deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade”. Esse é o elemento basilar a se seguir, a fim de não se cometer comportamentos antidemocráticos. Do ponto de vista da forma como a universidade está estruturada em seus diversos órgãos de representações, creio que essas questões estão postas. Mas tem havido alguns movimentos que extrapolam o limite do respeitável e isso preocupa, na medida em que se quebra determinadas liturgias, não nos sentido dogmático, mas da representatividade que existe em cada função e nas diferentes responsabilidades que afetam cada dirigente e cada um daqueles que compões os diversos segmentos. O respeito mútuo e a construção de um ambiente que preserve a alteridade, é uma condição sine-qua-non para a consolidação de um ambiente democrático. O papel de um reitor é garantir que isso será respeitado, e constituir-se numa liderança dentro da Universidade que assuma a responsabilidade na condução de situações que ameacem fugir da normalidade.
DM - Qual a sua crítica à atual gestão?

Romualdo Pessoa Campos Filho – Eu não pretendo fazer uma campanha que tenha como centro as possíveis fragilidades da gestão atual. No decorrer do processo pretendo apontar determinadas situações em que, por uma característica própria, e pelo próprio projeto que antevejo para a Universidade, eu caminharia em outra direção daquela apontada pela atual gestão. Mas são formas diferentes de encarar, às vezes, o mesmo problema. Meu objetivo é apontar numa direção que garanta à comunidade universitária chegar ao entendimento de que é possível seguir por caminhos diferentes em determinados momentos. A Universidade não pode ficar refém de um mesmo projeto por décadas, ela precisa inovar, encontrar outros caminhos, ousar, para poder extrair daqueles que constroem esse ambiente o melhor que eles podem oferecer, e não se acomodar. Também não creio que seja correto a permanência das mesmas pessoas em cargos por excessivo limite de tempo. Isso cria uma dependência à burocracia, impede que essas pessoas, principalmente professoes, se renovem em suas áreas específicas, e constrói um mecanismo de gestão semelhante ao que funciona nas estruturas carcomidas dos velhos Estados. Por isso minha palavra de ordem vai ser, renovação. A aceitação por muito tempo de um mesmo grupo na condução da administração de uma universidade significa a negação daquilo que a faz uma instituição diferente, a capacidade de formar novos quadros em condições de se destacarem e se alternarem, democraticamente. Em nenhuma forma de poder isso é desejável e correto, por criar vícios que se impregnam e tornam-se difíceis de transformar, renovar e trazer novos ares. Se isso acontece na universidade demonstra a nossa absoluta incompetência de construirmos novas alternativas, de abrirmos espaços para outras lideranças e de ousarmos encontrar novos caminhos, afetando a própria essência do que é ser uma universidade.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

QUE SEJAM FELIZES OS DIAS QUE VIRÃO. VAMOS INVENTAR UM 2017 COM SOLIDARIEDADE, PAZ, TOLERÂNCIA, AMIZADE E AMOR

Não sei o que dizer do que será. Resta-me analisar o que já não é mais. Assim, na reconstrução do passado, que me pode dar a compreensão dos erros e acertos do tempo que se foi, posso melhor inventar o meu futuro. 2017, e o que mais vier.
Repito aqui, os mesmos desejos de anos anteriores, pois eles são permanentes, apenas envelhecemos um ano a mais.
Seguramente uma das coisas boas em minha vida nesses últimos anos foi a força para criar e consolidar este Blog. Gramática do Mundo, como já disse, um nome quase emprestado do historiador francês, Fernand Braudel, que criou sua Gramática das Civilizações, representou para mim muito mais do que eu pretendia que se fosse inicialmente. Transformou-se em um fórum de debate bem provocativo, como sempre fui, e sou, em minha peculiaridade, mas sempre de maneira positiva e propositiva. Através desse estímulo pude reencontrar minhas forças. E, embora as marcas do passado não cicatrizem, aprendemos a conviver com elas, e com nossas dores. Às vezes, contraditoriamente, elas nos estimulam.
Em 2017, já completando 22 anos de UFG, pretendo alçar voos maiores, um desafio para o qual julgo estar preparado, calejado pelo tempo, marcado pelas vicissitudes da vida pessoal, profissional e política.
Dedicar-me ao blog é um alento.  Ele cumpre esse papel, e se transformou numa catarse a aliviar os meus tormentos, de fazer libertar do fundo da minha intimidade todas as angústias motivadas pela perda de minha filha, Ana Carolina. Através do Gramática do Mundo, e tentando ainda fragilmente seguir o lema da filosofia antiga, exposta inicialmente em um poema de Horácio, no século I, antes da Era Cristã, com a expressão Carpe Diem, não me preocupo em viver obcecado com o futuro, mas buscar a compreensão do presente, de forma a vivê-lo em toda a sua intensidade.
Essa máxima permanece a guiar as minhas atitudes e a maneira como concebo a vida, embora com uma concepção materialista. Sem jamais querer eliminar as minhas memórias, as lembranças, mesmo tristes, que me marcaram e me conduziram ao presente. Bloqueei por algum tempo lembranças trágicas da internação de minha filha, até o dia fatídico da sua morte. Mas, desde 2013, principalmente após a defesa de meu doutorado – talvez algo que eu ainda devesse a ela – recuperei essas imagens, mesmo que doídas, mas já conseguindo sentir a sua presença permanentemente ao meu lado, em nossos momentos de alegrias.
Por isso essa minha mensagem de transição entre dois momentos simbólicos (2016 - 2017), construídos seguindo uma lógica que interessa ao consumismo capitalista, apesar da crise econômica mundial, mas que inegavelmente também se constitui em um momento de confraternização, e de expiação de todos os nossos problemas, eu quis produzi-la aqui. Transformo, assim, todos os meus seguidores e eventuais leitores, em personagens de minha vida, com os quais estabeleço abertamente, por essa ferramenta espetacular que é a internet, momentos de franca discussão ideológica e intelectual, bem como compartilho todos os meus sentimentos pela perda irreparável que me consumiu e me consumirá pelo resto da minha vida, mas que aprendi a conviver com ela, superar a dor e encarar a realidade. Também as dores da vida social são terríveis, convivemos com elas diariamente, direta ou indiretamente, e não podemos viver eternamente numa caverna a olhar infinitamente para dentro de si próprio, senão esquecemos como são as coisas por aí afora, no mundo real que nos cerca e no qual estamos envolvidos.
Continuo recebendo, principalmente nas minhas postagens mais sofridas, nas datas que mais me lembram da Carol, mensagens de amigos, e até mesmos de pessoas anônimas para mim, que só conheço pelas redes sociais, e foram e têm sido fundamentais para a recomposição de meu caminho. São, seguramente, estímulos para a superação das adversidades e me ajudam a viver a vida como expressado na filosofia antiga, nessa loucura do mundo moderno.
Isso nos dá também a convicção de que a solidariedade só precisa ser praticada, porque muito embora tenhamos a sensação de que vivemos em um mundo cruel, as pessoas, em sua maioria, têm sim, sensibilidade e expressam ainda isso de várias formas. O velho altruísmo que salvou a espécie humana em épocas primitivas permanece, ainda que hibernado pelos tempos individualistas como resquícios do neoliberalismo, e do próprio capitalismo. Mas em certos momentos ele se manifesta e desperta o lado sensível dos indivíduos, homens e mulheres. Talvez nesses últimos anos, além dessa palavra, uma outra devesse ser mais analisada, e mais do que isso, o que ela representa devesse ser aplicado: alteridade. Em tempos marcados pela intolerância, resgatar o altruísmo e aplicar mais alteridades em nossas relações, certamente nos ajudará a construir uma força capaz de refazer nosso mundo. Não vai ser fácil.
2016 foi, mais uma vez, um ano de superação. Sempre envolto nas leituras geopolíticas, que me ajudam a interpretar o mundo, e a nossa situação específica, no caso do Brasil, segui repensando os comportamentos que me acompanharam por vários anos.  Por vezes um choque, uma tragédia, em nossas vidas, torna-se capaz de nos fazer parar para refletir. Tendo não mudar minha personalidade, diante das adversidades e das cargas negativas que nos cercam, alimentadas por uma mídia insana.  Procuro sempre seguir sendo eu mesmo, um pouco melhor da minha “ranzizesse” privada, apesar de mais velho. Todos nós temos nossos defeitos que cada um de nós possui e compõe a nossa personalidade, obviamente junto com as nossas qualidades. Mas adquiri uma capacidade maior de compreender os dramas e fragilidades da vida humana. Até pela acumulação de conhecimentos que busquei no estoicismo, somando-os à minha visão de mundo, baseada na dialética materialista e pela experiência adquirida da vida. E, pela minha pesquisa que desenvolvo desde 1992, com o contato com o povo simples, humilde e hospitaleiro do Sul do Pará e Norte do Tocantins, na região que ficou conhecida pela Guerrilha do Araguaia e pelos conflitos terríveis na luta pela terra.
Não sou partidário de princípios doutrinários, segundo os quais o sacrifício é um fator essencial para que o sentimento humano se realize. Não temos que, necessariamente, buscarmos o sofrimento a fim de termos nossos “pecados” expiados. Mas é inegável que ele nos trás um choque de uma realidade da qual não esperamos experimentar. Construímos nossos mundos (assim como nossos deuses) de acordo com o que queremos, e esquecemos que não podemos querer aquilo que é inusitado, ocasional. O inevitável pode nos trazer surpresas para as quais não nos preparamos, e da fragilidade de uma vida aparentemente perfeita, desfazem-se sonhos e ilusões de futuros construídos quase que moldados por fantasias que nos são impostas por mecanismos exteriores à nossa vontade.
Converso com minha companheira, Celma, sob óticas diferentes de ver a vida. Ela, sempre otimista, construiu toda a sua resistência à tragédia que nos abateu, buscando espiritualmente forças que traduzisse sentimentos de solidariedade e de um pensar positivo que vê ao longe, além do momento em que estamos, e constrói positivamente um futuro de esperança. Assim ela vai lidando com os projetos que o Instituto Ana Carol tem construído e, principalmente o que já se tornou uma realidade consistente, a Bordana, Cooperativa de Bordadeiras a consolidar essas certezas construídas com o olhar para adiante.
Não tento desconstruir os sonhos, mas parto de outra perspectiva. A de que o que imaginamos ser a construção de um futuro nada mais é do que a realização do presente. Dialeticamente, ele vai sendo tecido, e termina por concretizar algo que foi pensado. Mas o que seria desse “futuro” se no presente não tivéssemos construído as bases das mudanças? Ademais, não há futuro, pois o que idealizamos como sendo isso, ao imaginarmos tê-lo construído, ele já se torna presente. E, como o tempo não para, em frações de segundos já se torna passado.
Digo isso para afirmar que são as realizações do presente que possibilitam aos nossos pensamentos se concretizarem. Contudo, nada do que se constrói hoje, ou do que se imagina construir, está livre do acaso. Mas, como não podemos ficar pensando no acaso, assim como não faz sentido a obsessão pela morte, devemos pensar sempre em viver toda a intensidade do presente. Abstraindo o egoísmo e o individualismo, logicamente. Afinal, a nossa vida não se realiza isoladamente. E, principalmente, procurarmos viver cultivando a honestidade e a solidariedade.
Assim, 2017 se construirá a cada dia. Por isso, a mensagem que quero passar é a de que cada ano novo só se completa em seu final, até lá ele simplesmente é a somatória de dias, semanas e meses. E cada um de seus dias, deve ser vivido em seu tempo, na duração que lhe foi dada por essa espetacular e indecifrável condição que adjetivamos como vida. E, ao final, ele soma-se à nossa própria história.
Então, não nos basta pensar no ano de 2017. E sim na construção dele, a partir da vivência ativa e intensiva de cada dia, separadamente. Viver um dia por vez, ao invés de nos perdermos em angústias e desesperos do que fazer depois de amanhã. Isso parece óbvio, mas estranhamente não é visto dessa maneira.
Mas alguns dirão que isso é utopia. Que é ilusão se imaginar preso apenas ao que acontecerá a cada dia, na medida em que isso acarreta um efeito em sequência e, seguindo a própria lógica da vida, impõe naturalmente o pensamento no que se seguirá.
Isso também é verdade. Mas aí reside a beleza, a incógnita e o segredo da dialética. A vida em sua mais perfeita contradição. Pela qual não conseguimos jamais compreendê-la por completo, nem vivê-la a cada momento. Pois que ela nada mais é do que uma tridimensionalidade que nos cerca: vivemos o presente, a partir de coisas que construímos do passado e que seguiremos levando adiante, naquilo que se traduz como o futuro.
Que 2017 seja assim, então, para cada um de nós. Cheio de saúde, alegria, amor e fraternidade. Que a solidariedade jamais deixe de estar conosco cotidianamente, por mais que tenhamos em nossas ideologias o sentimento de que tudo que está aí deve ser mudado na construção de um mundo novo.
Tudo bem. Mas as pessoas que vivem a sofrer, por uma condição de sujeição à lógica irracional deste mundo, têm direito a superar seus sofrimentos. Não devemos esperar as pessoas morrerem na miséria para tomar isso como exemplo de que o sistema é injusto. Devemos condená-lo, mas salvando as pessoas... e não somente as matas, as árvores, os animais. Somos nós, seres humanos, que damos sentido a este mundo. Embora contraditoriamente sejamos nós também os responsáveis pela aceleração de sua destruição. Enfim, devemos lutar pela vida. “Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás” (Che).
Que 2017 inspire solidariedade, amizade e amor. Que construamos um novo mundo a partir de nossos próprios exemplos. Que não nos limitemos à crítica, pela crítica, mas que apresentemos alternativas concretas para realizarmos o sonho das pessoas viverem seus presentes com dignidade. E façamos isso também com nós mesmos. Que consigamos viver intensamente cada dia, cada momento, e nos coloquemos um desafio: de a cada dia que conseguirmos superar, aumentar o número de amigos e amigas que nos cercam. E os entendamos em suas peculiaridades, sem necessariamente compactuar com comportamentos agressivos, intolerantes, preconceituosos. Isso desfaz amizades, são inaceitáveis, ignora a alteridade, destrói-se o altruísmo e brutaliza as relações humanas. São comportamentos que devem ser combatidos, a fim de construirmos um mundo novo. Sim, acredito que um outro mundo é possível.
Certamente os desafios que temos pela frente não são fáceis. O novo ano não será fruto do que do que imaginávamos construir positivamente em 2016 e no ano anterior. Algumas coisas, necessárias para muda-los, fogem, ao nosso alcance. Mas devemos lutar, sempre, acreditando que a vida pode ser vivida de forma plena, sem esquecer que não vivemos sós e que os muros não nos protegem, simplesmente escondem uma realidade que nos oprime, que precisa mudar, mas da qual é impossível fugir.
Essa vontade de lutar, que, particularmente, pude recompor nesses últimos anos, deve estar imbuída do sentimento de que a transformação deve ser coletiva. Pensar somente em mim, não vai ajudar a construir o mundo melhor e mais solidário. Meu tempo de vida não é longo, o de nenhum de nós é, comparando-se ao tempo da história humana, e mais do que isso, se compararmos ao tempo de existência da terra. Portanto, se temos que lutar por algo que valha a pena, que isso se traduza em uma conquista que seja plena para a humanidade. Ao contrário do que se possa pensar, e é assim que vejo, isso não se contradiz com o lema que sugeri lá atrás. Carpe Diem! Significa que devemos aproveitar o momento, confiar o mínimo possível no amanhã, mas o que proponho na junção desses dois desejos é, ao mesmo tempo em que lutamos por um mundo melhor, viver a vida com serenidade, desprendimento, vivacidade e compreensão. Se queremos aproveitar cada momento, podemos também plantar sementes daquilo que imaginamos ser o melhor, para cada um de nós, individualmente, e para todos e todas coletivamente.
Quem sabe assim atingiremos nosso objetivo de inventar um 2017 que corresponda ao que desejamos. Mas, além disso, construir um futuro que possa refletir o presente que idealizamos.
E o façamos tornar-se realidade.
Feliz 2017!! Um brinde à construção de um mundo novo. “Sonhos, acredite neles, com a condição de realizar escrupulosamente a nossa fantasia” (Lenin).
Carpe Diem!

“Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati. seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam, quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida aetas: carpe diem quam minimum credula postero”.
“Tu não procures - não é lícito saber - qual sorte a mim qual a ti os deuses tenham dado, Leuconoe, e as cabalas babiloneses não investigues. Quão melhor é viver aquilo que será, sejam muitos os invernos que Júpiter te atribuiu, ou seja o último este, que contra a rocha extenua o Tirreno: sê sábia, filtra o vinho e encurta a esperança, pois a vida é breve. Enquanto falamos, terá fugido ávido o tempo: Colhe o instante, sem confiar no amanhã”.
 "Odes" (I,, 11.8) do poeta romano Horácio (65 - 8 AC) 



(*) A idéia central desse texto eu construí no final de 2011. Adaptei-o já por diversas vezes em algumas partes, e o faço mais uma vez para torná-lo atual a mais um momento de transição em nossas vidas. Um feliz ano novo aos leitores e leitoras do blog Gramática do Mundo e aos meus amigos e amigas do Facebook. Que possamos continuar lutando pela construção de um mundo melhor.  E que em 2017 possamos avançar muito nessa direção. Um forte abraço.